Estações meteorológicas melhoram as previsões?

Estação meteorológica

É verdade que estações meteorológicas melhoram as previsões de tempo e clima? Bom, não é bem assim… vou contar sobre 3 situações em que as estações meteorológicas são úteis para o produtor, mas não para as previsões. E por fim o cenário ideal, ok? Vamos lá!! (Há situações em que as estações meteorológicas são muito importantes, mas nem sempre ter uma estação instalada na fazenda vai ajudar a melhorar as previsões)

Primeiramente é importante reforçarmos que estações meteorológicas registram dados, mas não fazem previsões do tempo!! Enquanto a estação meteorológica constata o que já aconteceu ou o que está acontecendo neste exato momento, as previsões são projeções do que será registrado por uma estação meteorológica no futuro.

Agora que sabemos que estação meteorológica não faz previsão, ela apenas registra o que está acontecendo ou o que já aconteceu, vamos ver em qual cenário você se encaixa!!

Cenário 1 – Tenho um pluviômetro ou uma estação meteorológica simples e faço anotações frequentes

Legal!! Essas informações serão muito úteis para que você acompanhe os volumes de chuva durante a safra, o que afeta diretamente o desempenho da sua lavoura. Porém, se essas informações não chegarem aos meteorologistas e modelos meteorológicos, apesar dela continuar sendo útil para o acompanhamento, ela não será utilizada para melhorar as previsões do tempo (até 15 dias) e nem as previsões climáticas (para até 6 meses ou mais).

Cenário 2 – Tenho uma estação meteorológica moderna e conectada que transmite os dados em tempo real para a nuvem (software)

Ótimo!! Agora os dados serão enviados para a empresa que instalou a estação meteorológica, então as previsões vão ficar melhores, certo? Depende, pois geralmente esses dados são utilizados para outras finalidades que não a melhoria das previsões, por exemplo: cálculo de balanço hídrico, recomendações de irrigação ou aplicações. Isso acontece porque, na maioria das vezes, o foco das estações meteorológicas é gerar informações para soluções em agricultura de precisão, não meteorologia.

Além disso, poucas empresas conseguem utilizar esses dados para melhorar as previsões, é necessário meteorologistas com experiência em modelagem meteorológica, análise de dados e programação, sem contar que os dados precisam ser padronizados e confiáveis, de preferência seguindo o padrão estabelecido pela Organização Mundial da Meteorologia, que possui detalhes muito difíceis de se atender, mesmo numa fazenda.

Cenário 3 – Tenho uma estação moderna, conectada e meteorologistas têm acesso a esses dados para trabalhar em melhorias nas previsões

Excelente!! Meteorologistas capacitados têm acesso aos dados para trabalhar na melhoria das previsões, agora vai ficar bom, né? Detesto ser um portador de más notícias, mas não é tão simples assim. Para entendermos melhor a situação, existem institutos que trabalham na melhoria constante dos modelos meteorológicos, que rodam naquelas supermáquinas que geralmente só governos possuem. Esse pessoal segue os padrões da Organização Mundial da Meteorologia e, mesmo que queiram, eles não vão utilizar esses nossos dados para melhorar as previsões. Isso acontece principalmente porque eles precisam trabalhar com dados muito confiáveis e padronizados. Imagina se cada produtor instala a estação de um jeito e isso influencia nos dados, vira uma bagunça!

Com isso, a solução é realizar correções em cima de erros já identificados nas previsões puras, através de processos com inteligência artificial. Não é a solução ideal, pois é um processo que demora anos para começar a trazer ganhos para o produtor. Além disso, esta é uma correção que só funciona pontualmente e os erros não deixam de existir na previsão como um todo.

Cenário ideal – Padronização das estações meteorológicas e utilização desses dados para um modelo meteorológico focado no país

A maior parte dos modelos meteorológicos que utilizamos no Brasil são, na verdade, focados em gerar previsões para a Europa ou os EUA, principalmente. A tentativa de construir um modelo próprio brasileiro vem sendo impedida por crises, desinteresse político e talvez até mesmo uma falta de força da comunidade científica, que está resultando no desligamento parcial da supermáquina brasileira chamada Tupã e na descontinuidade do desenvolvimento do modelo meteorológico brasileiro, uma pena.

Não podemos nos enganar também e achar que a instalação de estações meteorológicas e até mesmo o desenvolvimento do modelo brasileiro resultariam em melhorias notáveis em pouco tempo. Os estudos atmosféricos exigem muito poder computacional (tanto que as supermáquinas mais potentes do mundo foram desenvolvidas para rodar modelos meteorológicos), e a atmosfera possui diversos tipos de ciclos, como os próprios períodos de El Niño, La Niña e Neutro. É imprescindível que haja investimento, pesquisas e dedicação por um período relativamente longo, de vários anos, até que as melhorias nas previsões sejam notáveis e significativas.